O Estranho Caso do Cachorro Morto

22/02/2018 § Deixe um comentário

“E no sonho, quase todo mundo da Terra está morto, porque eles tinham pegado um vírus. Mas não é um vírus normal. É como um vírus de computador.

E as pessoas pegam esse vírus por causa do significado de alguma coisa que a pessoa infectada diz, o que quer dizer que as pessoas podem também pegar a doença observando uma pessoa infectada na televisão, e do significado da
expressão em seus rostos quando dizem isso, o que significa que o vírus se espalha ao redor do mundo bem depressa.

Quando as pessoas pegam o vírus, elas só fazem se sentar no sofá e mais nada, não comem nem bebem nada, e por isso morrem. Mas, tem vezes que eu tenho diferentes versões desse sonho, como quando você vê duas versões de um
filme, uma mais comum e outra, a original do Diretor, como em Blade Runner, o caçador de androides. Em algumas versões do sonho, o vírus faz com que as pessoas batam com seus carros ou então elas vão para o mar e se afogam, ou se jogam nos rios, e eu acho que esta versão é melhor porque não há corpos nem pessoas mortas espalhadas por toda parte.

No final das contas, não sobra ninguém no mundo, a não ser as pessoas que não olham para os rostos de outras pessoas e que não sabem o que estes desenhos significam

e estas pessoas são todas pessoas especiais como eu. Elas gostam de viver sozinhas e eu raramente as vejo porque elas são como o ocapi, da selva do Congo, que é um tipo de antílope, arisco e muito raro.

E eu posso então ir a qualquer lugar do mundo e sei que ninguém vai conversar comigo nem vai me tocar nem me perguntar nada. Mas, então, quando eu não quero ir a lugar nenhum, eu não tenho de ir, e posso ficar em casa e comer brócolis, laranjas e alcaçuz o tempo todo, ou posso brincar com jogos no computador por uma semana inteira, ou posso apenas me sentar em um canto do quarto e esfregar uma moeda de uma libra para trás e para a frente sobre as partes onduladas da superfície de um aquecedor. E eu não tenho de ir para a França”

trecho do fofíssimo O Estranho Caso do Cachorro Morto, do Mark Haddon, uma das leituras do Nick Hornby no Frenesi Polissilábico.

 

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06/02/2018 § Deixe um comentário

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06/02/2018 § Deixe um comentário

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Feliz aniversário

17/11/2017 § Deixe um comentário

 

The Complete Legendary Sessions

13/08/2017 § Deixe um comentário

Queer

23/07/2017 § Deixe um comentário

“Voltaram ao Ship Ahoy ainda em silêncio. Lee entrou e pediu uma bebida. Allerton desapareceu. Mais ou menos uma hora depois, voltou e foi sentar com Lee.
‘Que tal a gente sair pra jantar hoje?’, perguntou Lee.
Allerton respondeu: ‘Não, acho que vou trabalhar à noite.’
Lee estava deprimido e arrasado. O afeto e as risadas da noite de sábado tinham se perdido e ele não entendia por quê. Em toda relação amorosa ou de amizade, Lee tentava estabelecer contato no nível não verbal da intuição, uma troca silenciosa de pensamentos e sentimentos. Agora Allerton rompia abruptamente esse contato, o que causava em Lee uma dor física, como se aquela sua parte que tenteava estendida em direção ao outro tivesse sido amputada e ele olhasse chocado para o coto que sangrava, mal podendo acreditar naquilo.”

trecho de Queer, registro da dor-de-cotovelo sofrida pelo Burroughs, durante o período que passou na América Latina, para encontrar o yage.

 

Love Light in Flight

22/05/2016 § Deixe um comentário