É Isto um Homem?

26/12/2015 § Deixe um comentário

Quando se trabalha, se sofre, não há tempo de pensar; nossos lares são menos que uma lembrança. Aqui, porém, o tempo é nosso; de beliche para beliche, apesar da proibição, nos visitamos e falamos, falamos. O Bloco de madeira, apinhado de humanidade sofredora, está cheio de palavras, de lembranças e de uma dor diferente. Heimweh, chama-se em alemão essa dor. É uma palavra bonita; significa “dor do lar”.

 Sabemos de onde viemos; as lembranças do mundo de fora povoam nossos sonhos e nossas vigílias; percebemos com assombro que não esquecemos nada; cada lembrança evocada renasce à nossa frente, dolorosamente nítida.

 Não sabemos, porém, para onde vamos. Talvez sobrevivamos às doenças e escapemos às seleções, talvez aguentemos o trabalho e a fome que nos consomem, mas, e depois? Aqui, longe (por enquanto) das blasfêmias e das pancadas, podemos retomar dentro de nós mesmos e refletir, e torna-se claro, então, que voltaremos.

 Viajamos até aqui nos vagões chumbados; vimos partir rumo ao nada nossas mulheres e nossas crianças; nós, feito escravos, marchamos cem vezes, ida e volta, para a nossa fadiga, apagados na alma antes que pela morte anônima. Não voltaremos. Ninguém deve sair daqui; poderia levar ao mundo, junto com a marca gravada na carne, a má nova daquilo que, em Auschwitz, o homem chegou a fazer do homem.

trecho de É Isto um Homem?, um soco no estômago, do Primo Levi,  lido, ainda no mês passado, para a discussão sobre violência, no último encontro do módulo do Filosofia na Praça, com o excelente Newton Bignotto.

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Casa de campo

22/12/2015 § Deixe um comentário

quarto

Via.

O Problema da Justiça

14/12/2015 § Deixe um comentário

“Rejeitando, do ponto de vista do conhecimento científico, o pressuposto de uma essência transcendente, existente para além de toda a experiência humana, isto é, a existência de um absoluto em geral e de valores absolutos em particular, e apenas reconhecendo a validade de valores relativos, a validade do direito positivo, não pode, do ponto de vista de uma teoria científica do direito, ser posta na dependência da sua relação com a justiça.

Pois essa dependência só pode subsistir sendo a justiça um valor absoluto, pressupondo-se como válida qualquer outra norma que a contrarie. Admitindo-se a possibilidade de normas de justiça diferentes e possivelmente contraditórias, no sentido, não de que duas normas de justiça contraditórias possam ser tidas ao mesmo tempo como válidas, mas no sentido de que uma ou outra das duas normas de justiça contraditórias pode ser tomada como válida apenas pode ser tomada como válida, então o valor de justiça apenas pode ser relativo; e, nesse caso, toda ordem jurídica positiva tem de entrar em contradição com qualquer destas diversas normas de justiça — pelo que, consequentemente, não poderá haver nenhuma ordem jurídica positiva que deva ser considerada como não válida por estar em contradição com qualquer uma destas normas de justiça. Por outro lado, cada ordem jurídica positiva pode corresponder a qualquer  das várias normas de justiça constitutivas apenas de valores relativos, sem que esta correspondência possa ser tomada como o fundamento de sua validade”.

trecho do importante, mas absurdamente repetitivo, O Problema da Justiça, do H. Kelsen, cuja menção vou aproveitar como deixa para pedir aos queridos colegas autores do direito que escrevam texto mais diretos, palatáveis e menos empolados.

Eletric Mud

14/12/2015 § Deixe um comentário

Um disco sensacional.

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