Iniciantes

19/10/2015 § Deixe um comentário

“O que qualquer um de nós sabe de verdade sobre o amor?’, disse Herb. ‘Estou falando a sério mesmo, vocês me desculpem. Mas acho que a gente não passa do nível de iniciantes no amor. A gente diz que ama um ao outro, e amamos mesmo, não duvido disso. Nós nos amamos e amamos muito, todos nós. Eu amo a Terri e a Terri me ama, e vocês dois amam um ao outro. Vocês conhecem o tipo de amor de que estou falando agora. Amor sexual, a atração pela outra pessoa, o parceiro, conhecem tão bem quanto eu o tipo de amor simples e cotidiano. O amor carnal, então, e o amor sentimental, podem chamar assim o contato cotidiano com o outro.

Mas ás vezes eu me vejo em sérios apuros quando tenho de explicar o fato de que, afinal, eu devo ter amado também a minha primeira esposa. Mas eu amei, sei que amei. Portanto, acho que, antes que vocês possam dizer qualquer coisa, eu sou como a Terri nesse aspecto. Terri e Carl.’

Refletiu por um minuto e depois foi em frente. ‘Mas a certa altura eu achava que amava minha esposa mais que a própria vida, e tivemos filhos. Mas agora morro de ódio dela. Sério. Como é que a gente pode entender isso? O que foi que aconteceu com aquele amor? Será que aquele amor simplesmente foi apagado do grande quadro-negro, como se nunca tivesse estado lá, como se nunca tivesse acontecido? O que foi que aconteceu com ele, é isso o que eu gostaria de saber. Queria que alguém pudesse me explicar. Então tem o Carl. Ele amava tanto a Terri que tentou matá-la e acabou matando a si mesmo.’ Parou de falar e balançou a cabeça.”

trecho de “Iniciantes”, conto que dá nome ao aterrador livro do Raymond Carver, do qual destaco, além do conto que titula a obra, os angustiantes e terríveis, por motivos e tons muito diferentes, “Uma Coisinha Boa” e “Diga às mulheres que a gente já vai”.

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Concreto

19/10/2015 § Deixe um comentário

tropical-bedroom

Genial a combinação de concreto, madeira, vidro e folhas neste quarto, pensado pelo arquiteto ucraniano Anthony Kalambet. Mais fotos desse projeto e de outros que exploram o concreto como elemento de composição do estilo da casa, aqui.

A proposta lembra o estilo do curitibano Marcos Bertoldi, cujo trabalho conheci graças ao Casa Brasileira.

Honey Dove

16/10/2015 § Deixe um comentário

Em tempo: que versão absurda essa aqui.

Banho

16/10/2015 § Deixe um comentário

banho

Via.

Em Louvor da Sombra

15/10/2015 § Deixe um comentário

“Conforme se observa por esse exemplo trivial, um negrume cinzento está sempre presente em nossa imaginação, enquanto na dos ocidentais até fantasmas são claros, transparentes como vidro. O mesmo acontece como utensílios de uso cotidiano: a cor que apreciamos é composta de camadas de sombras, enquanto os ocidentais dão preferência a cores compostas por camadas de luz solar.

Nós amamos objetos de prata em bronze oxigenados, eles os consideram anti-higiênicos e os lustram, até vê-los cintilar. Pintam com cores claras o interior dos aposentos – paredes e teto – para evitar o surgimento de áreas sombrias. Nós compomos nossos jardins com árvores e vegetação densa, e eles estendem um tapete de relva em terreno plano. A que se deve tanta diferença? Creio que nós, os orientais, buscamos satisfação no ambiente que nos cerca, ou seja, tendemos a nos resignar com a situação em que nos encontramos. Não nos queixamos do escuro, mas resignamo-nos com ele como algo inevitável. E se a claridade é deficiente, imergimos na sombra e descobrimos a beleza que lhe é inerente.

Mas os ocidentais, progressistas, nunca se cansam de melhorar suas próprias condições. De vela a lampião, de lampião a lampião de gás, de lampião de gás a lâmpada elétrica, buscaram a claridade sem cessar, empenharam-se em eliminar o mais insignificante traço de sombra. A explicação talvez esteja nessa discrepância de temperamentos, mas gostaria aqui de tecer algumas considerações em torno da diferença da cor de nossas peles.”

trecho da pérola Em Louvor da Sombrabreve ensaio em que o Tanizaki discorre sobre o apreço dos orientais pela penumbra e sobre sua importância para a estética e a arquitetura japonesas.

Onde estou?

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