Voragem

30/08/2015 § Deixe um comentário

“- Se o que afirma for verdade, peço milhões de desculpas. Não imagina quanto tenho rezado para que minhas suposições se provem erradas. Mas antes de me acusar de pensar bobagens, não será melhor questionar a própria consciência? É capaz de afirmar com segurança que nada faz de errado?

– Por que essa insistência hoje? Sabe muito bem que a beleza de Mitsuko me atraiu e que essa foi a causa da nossa amizade. Você mesmo disse que, se ela era tão bonita, queria que também conhecê-la, não disse? É natural que as pessoas se sintam atraídas por uma pessoa bonita. E, quando uma mulher sente atração por outra, está amando um objeto de arte. Se considera isso pouco sadio, só posso afirmar que você é menos ainda.

– Mas, se a amasse como a um objeto de arte, não precisaria trancar-se com ela num quarto, podia vê-la na minha presença … Por que esse estranho constrangimento toda vez que chego? Para começo de conversa, não me agrada nem um pouco que se chamem mutuamente de ‘maninha’ quando nem são irmãs de verdade.”

trecho do emocionante Voragem, da minha nova paixão japonesa, o Junichiro Tanizaki [ desculpe, Kawabata ], por quem eu ando totalmente encantada.

Hardgroove

30/08/2015 § Deixe um comentário

Uma Solidão Ruidosa

30/08/2015 § Deixe um comentário

“Enquanto isso , a parede estava guarnecida com vinte fardos, um comboio de vinte vagões a caminho do elevador de serviço, cada um aceso com luz de girassol , e ainda me restava um cilindro cheio de ratos amassados, que, tal qual o rato judiado pelo gato brabo, não tiveram chance de guinchar, já que a natureza piedosa gerou um horror que destruiu toda e qualquer sensação de segurança, um horror mais intenso do que a dor, e os puniu no momento da verdade. Isso nunca deixou de me espantar, até que, certo dia, de repente, me senti belo e sanidade depois de tudo o que vi e que passei , de corpo e alma, numa solidão ruidosa demais, e lentamente fui percebendo que meu trabalho estava me arremessando de cabeça em um infinito campo de onipotência.”

trecho de Uma Solidão Ruidosa, do Bohumil Hrabal, que devia ser uma pessoa muito divertida e cuja morte seguiu a mesma tendência, digna do Dumb Ways to Die.

Seattle Central Library

30/08/2015 § Deixe um comentário

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Seattle Central Library, em Seattle, Washington. Via Becki’s Bookshelf.

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