Rakushisha

28/06/2015 § Deixe um comentário

“Encaminha-se à janelinha da bilheteria, onde se vendem uns poucos artigos. Olha para os objetos, um a um. Escolhe uma pequena caligrafia que reproduz o último poema escrito por Bashô na Rakushisha.

No envelope que o vendedor lhe dá, escreve o nome de Marco. Pega uma folha do caderno que lhe serve de diário e escreve: me desculpa. Embrulha com a folha de delicado papel japonês o último poema escrito por Bashô na Rakushisha.

Haruki vê a chuva fina que começa a cair enquanto seu trem se aproxima da estação de Kyoto. Celina sente a chuva fina que começa a cair enquanto folheia seu diário, enquanto guarda-o com cuidado, e ao envelope com a caligrafia, dentro da mochila. Enquanto sai da Rakushisha e pega sua bicicleta e olha para o campo de arroz e as montanhas perfiladas no horizonte.

Essa é a verdade da viagem. Eu não sabia.

A viagem nos ensina algumas coisas. Que a vida é o caminho e não o ponto fixo no espaço. Que nós somos feito a passagem dos dias e dos meses e dos anos, como escreveu o poeta japonês Matsuo Bashô num diário de viagem, e aquilo que possuímos de fato, nosso único bem, é a capacidade de locomoção. É o talento para viajar.”

trecho do surpreendentemente bonito, delicado e bem construído Rakushisha, da Adriana Lisboa, que conheci graças à Granta sobre ambição e que renovou minha vontade de aprender japonês  e de conhecer o Japão.

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Isadora

28/06/2015 § Deixe um comentário

Que amor.

Felicidade

16/06/2015 § Deixe um comentário

“Também as cores não existem em muito grande número ainda que suas tonalidades e misturas sejam incontáveis. Entre as palavras existem para cada falante as prediletas e as estranhas, preferidas e evitadas, cotidianas — que se usam mil vezes sem temer o desgaste — e outras — solenes — que, por mais que as amemos, só pronunciamos ou escrevemos com cuidado e reflexão, como objetos raros: fazendo as escolhas que correspondem a essa sua solenidade.

Entre elas está para mim a palavra ‘felicidade’.

É uma dessas que sempre amei e escutei com prazer. Por mais que se discute e argumente sobre seu significado, seja como for, ela significa algo belo, bom e desejável. E acho que o som da palavra corresponde a isso.

Parece-me que essa palavra, apesar de sua brevidade [ referência a Glück, palavra alemã para ‘felicidade’, que tem apenas uma sílaba ], tem algo de espantosamente denso e cheio, algo que lembra ouro e com certeza além da plenitude e densidade também lhe é próprio o brilho que parece morar em suas breves sílabas como o raio nas nuvens, começando tão fluida e sorridente, repousando com um sorriso no meio, e terminando de maneira tão decidida.

Era uma palavra para rir e chorar, cheia de fascinação e sensualidade. Se a quiséssemos sentir direito, bastava colocar ao lado desse dourado algo tardio, plano, fatigado, de níquel ou cobre, como realidade ou utilidade, e tudo ficaria claro.”

trecho de Felicidade, texto que dá nome ao lindo livro com reunião de crônicas e registros típicos de diário, lamentavelmente esgotado, do fofo Hermann Hesse.

Primavera

14/06/2015 § Deixe um comentário

primavera

Sol e árvores floridas lá em cima, e eu aqui, no sul, sofrendo com esse frio horroroso. Via Audrey Hepburn Complex.

Love Theme

03/06/2015 § Deixe um comentário

Outra das coisas que achei durante o longo backup: a trilha de Orquídea Selvagem. Boa seleção de canções, especialmente esta, para o que não passou de um soft porn com uma tentativa de roteiro.

Aos Pedaços

03/06/2015 § Deixe um comentário

“Nas madrugadas em que a insônia chega com força, tenho vontade de te ligar. Pra não falar nada. Só pra ouvir sua respiração e sentir que você dormiu de novo. Volta e meia uns sparks do seu rosto invadem as linhas dos meus livros e, quando me dou conta, adormeço como se estivesse ao seu lado.

Eu quero fazer muitas coisas pra te ter. Todas inúteis. Ir do Leblon a Copacabana pra te levar flores amarelas. Pichar as paredes do seu quarto com versos de Córtazar. Espalhar caixas de som por toda a cidade, tocando Nando Reis. Apagar os nomes dos países no meu mapa múndi e pôr o seu em todos eles.

Provavelmente, depois de fazer isso tudo, eu apenas tenha um sono mais tranqüilo. Um sono de dever cumprido. Enquanto não consigo, vou me perdendo em cartas e comédias românticas francesas. Todo o resto é você.”

trecho de “Das Cartas”, uma das minhas preferidas do Aos Pedaços, do Rodrigo Levino  [ ah, Rodrigo… ♥ ], que reencontrei durante um chato backup.

Elegância

02/06/2015 § Deixe um comentário

gatos

Uma demonstração fidedigna da elegância felina, para celebrar o aniversário de nove anos de Silas, o gato, nesta quinta-feira. ♥ Vi no Cat Ass.

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