Patrimônio

25/05/2015 § Deixe um comentário

“Você pode achar que não significa muito um filho proteger carinhosamente o pai depois que ele se torna indefeso e está quase destruído. Só posso responder que tive o mesmo senso de proteção por suas vulnerabilidades (como homem com fortes laços de família vulnerável às tensões familiares, como arrimo de família vulnerável à incerteza financeira, como um filho chucro de imigrantes judeus vulnerável ao preconceito social) quando eu ainda não havia saído de casa e ele, além de exibir uma saúde de ferro, me enlouquecia com conselhos inúteis, censuras descabidas e raciocínios que me faziam, sozinho no quarto, dar socos na testa e urrar de desespero.

Essa fora exatamente a discrepância que transformara o repúdio à sua autoridade num conflito tão opressivo, por estar carregado de angústia, mas também de desprezo. Ele não era um pai qualquer, era o pai, com tudo que há para se odiar num pai e com tudo que há para se amar.”

trecho de Patrimônio, romance terno, intenso e divertido do Philip Roth sobre os últimos anos e morte do seu pai [ que figura o Herman Roth ], acometido por um tumor no cérebro, descoberto já do alto de seus 86 anos.

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