Patrimônio

25/05/2015 § Deixe um comentário

“Você pode achar que não significa muito um filho proteger carinhosamente o pai depois que ele se torna indefeso e está quase destruído. Só posso responder que tive o mesmo senso de proteção por suas vulnerabilidades (como homem com fortes laços de família vulnerável às tensões familiares, como arrimo de família vulnerável à incerteza financeira, como um filho chucro de imigrantes judeus vulnerável ao preconceito social) quando eu ainda não havia saído de casa e ele, além de exibir uma saúde de ferro, me enlouquecia com conselhos inúteis, censuras descabidas e raciocínios que me faziam, sozinho no quarto, dar socos na testa e urrar de desespero.

Essa fora exatamente a discrepância que transformara o repúdio à sua autoridade num conflito tão opressivo, por estar carregado de angústia, mas também de desprezo. Ele não era um pai qualquer, era o pai, com tudo que há para se odiar num pai e com tudo que há para se amar.”

trecho de Patrimônio, romance terno, intenso e divertido do Philip Roth sobre os últimos anos e morte do seu pai [ que figura o Herman Roth ], acometido por um tumor no cérebro, descoberto já do alto de seus 86 anos.

Fool of Me

24/05/2015 § Deixe um comentário

Amok e Xadrez e Fragmentos do Diário

24/05/2015 § Deixe um comentário

“De alguma maneira tem a ver com o clima, com a atmosfera sufocante e concentrada que oprime os nervos como antes de uma tempestade, até que eles um dia se soltam… Então, amok significa o seguinte: um malaio qualquer, simples, bondoso, toma uma de suas bebidas fermentadas.. Lá está ele: apático, embotado e indolente, da mesma forma como eu estava em meu consultório … e, de repente, dá um salto, agarra o punhal e corre para a rua … corre sem olhar para os lados, sempre em frente, sem saber para onde…

Não importa o que esteja em seu caminho, homem ou animal, ele o apunhala com seu kris e a embriaguez sanguinária torna-o cada vez mais impetuoso… a saliva começa a espumar em seus lábios, ele grita como um louco furioso, mas ele corre, corre, corre, não olha para os lados, apenas corre sempre para a frente, assustadoramente com seu grito estridente,seu kris sangrento…

Os camponeses sabem que nenhuma força é capaz de deter um homem com amok… por isso, eles avisam aos gritos os que estiverem por perto: Amok! Amok!, e todos desaparecem … mas ele continua correndo sem ver e ouvir, apunhalando tudo o que esteja à sua frente … até que alguém atire e o mate como a um cachorro raivoso, ou que ele desmaie sozinho com espuma na boca…”

trecho de Amok, novela forte e vertiginosa do querido Stefan Zweig, cuja casa em Petrópolis, espero tomar vergonha na cara para conhecer em breve, inclusa em Amok e Xadrez e Fragmentos do Diário, que traz, além das duas novelas do título, impressões divertidíssimas do autor sobre o Brasil.

Sawyer House

24/05/2015 § Deixe um comentário

sawyer

Totalmente viciada em coisas sobre arquitetura, urbanismo e decoração, tenho gastado tempo precioso no Home Adore. A paixão da vez, esta casa em estilo californiano da década de 1950, feita pelo Rachlin Partners. História e fotos, aqui.

Afagos

03/05/2015 § Deixe um comentário

“Balconista de lanchonete há tempos, nunca faltou ao trabalho. Aos trinta e oito anos, ainda está solteira e mora sozinha. Faz diariamente o percurso para a lanchonete sonhando como se estivesse em sono profundo. Ao contrário de sua vida real, nos sonhos é ousada. Como sonha acordada, escolhe os roteiros, os personagens e as melhores locações. Acaba de introduzir em seus sonhos um senhor de meia-idade que viu em uma parada de ônibus. Cabisbaixo, cabelo grisalho, uma maleta de trabalho ao lado e uma grossa aliança, que ela viu no dedo de sua mão esquerda. Imaginou-se amante dele: encontros secretos, experiências sexuais meio violentas, brigas, reconciliações arrebatadoras. Hoje, indo para o trabalho, fantasiou a morte do amante. Já está de olho em outro senhor que viu atravessando a rua, um pouco mais velho que o primeiro.”

“Doces”, um dos microcontos do bom Afagosdo artista plástico e escritor José Rufino.

After the Dance

03/05/2015 § Deixe um comentário

Feriado

01/05/2015 § Deixe um comentário

cama

Para quem pretende dormir até alcançar o estado de semicoma, via Vintage Home.

Onde estou?

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