Mahler

17/02/2015 § Deixe um comentário

“O movimento está maravilhosamente cheio de contrastes: nostalgia romântica, como quando o sujeito principal retorna pela primeira vez (uma passagem acima da qual Mahler escrevinhou na partitura ‘Ó dissipados dias de juventude! Ó dissipado amor’), desafio trágico (heroico), quietude sobrenatural, um clímax de desespero, fanfarras de trompetes em surdina e uma profética e extraordinária coda em que a orquestra é reduzida a um pequeno grupo de instrumentos solistas brincando com fragmentos de temas e um solo de trompa nos leva de volta a um mundo musical mais simples, enquanto o tema do ‘adeus’ se desintegra lentamente.

Mahler tinha sido tão profundamente afetado pelos poemas de Bethge que sentiu, de forma clara, não se terem esgotado no ciclo de canções sinfônicas as possibilidades musicais oferecidas por aqueles: a Nona Sinfonia é, portanto, uma extensão de Das Lied, quase um comentário sinfônico sobre ele.

Com que força isso foi transmitido, é evidente da reação de Alban Berg, expressa em carta à sua esposa no verão de 1910. Mahler emprestara-lhe a partitura. ‘O primeiro movimento é a coisa mais celestial que Mahler até hoje escreveu’, disse Berg. ‘É a expressão de um amor excepcional à terra, o anelo por viver nela em paz, por desfrutar da natureza em suas profundidades – antes que a morte chegue. Pois ela chega irresistivelmente. Todo o movimento está impregnado de premonições de morte.'”

trecho de Mahler, do Michael Kennedy, sobre o celestial [melhor termo] primeiro movimento da Nona Sinfonia, cuja apresentação pela Filarmônica daqui foi um dos pontos altos das noites do ano passado.

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