A Estrada

02/11/2014 § Deixe um comentário

“Colocou os sapatos deles e depois se levantou e voltou pela estrada mas não conseguiu ver o ladrão. Voltou e ficou parado diante do menino. Ele foi embora, disse. Vamos.
Ele não foi embora, o menino disse. Olhou para cima. Seu rosto riscado de fuligem. Não foi.
O que você quer fazer?
Só ajudá-lo, Papai. Só ajudá-lo.
O homem olhou outra vez para a estrada.
Ele só estava com fome, Papai. Ele vai morrer.
Ele vai morrer de qualquer maneira.
Ele está com tanto medo, Papai.
O homem se agachou e olhou para ele. Eu estou com medo, falou. Está entendendo? Eu estou com medo.
O menino não respondeu. Continuou apenas com a cabeça baixa, soluçando.
Não é você quem tem que se preocupar com tudo.
O menino disse alguma coisa mas ele não conseguiu entender. O quê? falou.
Ele levantou os olhos, o rosto úmido e sujo. Sim, sou eu, ele disse. Sou eu.”

trecho de A Estrada, do Cormac McCarthy, que me deixou com o coração apertado até o final e com tanto, tanto medo de terminar.

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