O Escolhido Foi Você

28/06/2014 § Deixe um comentário

“Fui para casa com uma fita cheia de cenas que começaram como improvisações, mas que foram resvalando para a realidade, tornando-se pequenos documentários. Joe poderia fazer o que eu pedi, mas sua vida era tão exigente, e tão bizarramente relevante, que ultrapassava qualquer ficção. E deixei assim.

Pensei nos seus sessenta e dois anos de cartões ternos e obscenos, e alguma coisa desenrolou denttro de mim. Talvez eu tivesse calculado mal o que restava da minha vida. Talvez não fosse truco miúdo.

Ou quem sabe a coisa toda fosse troco miúdo do começo ao fim — muitos, muitos pequenos momentos, cada feriado, cada Dia dos Namorados, cada ano insuportavelmente repetitivo e ainda assim de alguma maneira sempre novo. A gente nunca pode comprar alguma coisa com ele, nunca pode contar com ele para algo mais valioso ou mais completo.

Eram só todos aqueles dias, mantidos juntos apenas pela demora frágil de uma pessoa —
ou, se tivermos sorte, de duas. E por causa disso, dessa falta de significado ou de valor inerente, era adimirável. Como a mais intrincada e radical obra de arte o tipo de arte que estava sempre tentando fazer. Aquilo se atrevia a não significar nada e com isso exigia tudo da gente.”

trecho de O Escolhido Foi Você, da Miranda July, conjunto de pequenos relatos [ interessantes, alguns ternos, como o de Joe e Carolyn, de Matida e Domingo e do Andrew, mas que, em alguns momentos, resvalam para o cliché das reflexões sobre a “brevidade da vida”, “a importância de viver cada momento” e de ver o mundo para além do próprio grupinho, o que sempre me dá alguma preguiça ] de seus encontros com moradores de Los Angeles que anunciavam produtos no PennySaver, um jornalzinho de classificados.

Comprado porque era muito bonito, com suas fotos e capa com textura [ sério ], o livro é fruto do adiamento da autora em encarar o roteiro dO Futuro, que, a julgar pelas descrições e críticas, não terei a sensibilidade necessária para encarar.

Campeão

27/06/2014 § Deixe um comentário

lavezzi

Alguém entregue, por favor, o prêmio de melhor jogador da Copa a esse homem.

Love Song #3

19/06/2014 § Deixe um comentário

Your love guides me…

A Testemunha Silenciosa

15/06/2014 § Deixe um comentário

“- Porco – rosnava sá Carmela, fora de si. A noite sem estrelas se fechou sobre a nossa casa e sobre Lagedo. Mamãe se recolheu sem fechar a porta que dava para o patiozinho. Papai chegou, deu corda no relógio, tossiu e foi se deitar. Dulce entrou na ponta dos pés. Maria do Sudário dormia o sono dos justos. A Inácia só voltou na manhã seguinte.

O que se guardou na memória da família Sacramento e de Lagedo foi isto: vovô comeu muita farinha no jantar e, com sede, quis beber água. Na bica, escorregou, caiu e morreu. Tudo simples e lógico. Nem ao menos se falou de sua bebedeira.

Vida é segredo, Sanico. “

trecho de “A Testemunha Silenciosa”,  novelinha do Otto Lara Resende, publicada em livro homônimo, e acompanhada de “A Cilada”.

Onde estou?

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