Beirut

13/05/2014 § Deixe um comentário

 

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Pileques

12/05/2014 § Deixe um comentário

“Voltar é impossível porque essa fuga faz com que o passado deixe de existir. Portanto, como eu não podia mais cumprir as obrigações que a vida criara para mim ou que eu estipulara para mim mesmo, por que não dar cabo da concha vazia que estivera se passando por mim durante quatro anos?

Eu teria de continuar a ser escritor, porque esse era meu único meio de vida, mas poria de lado quaisquer tentativas de ser uma pessoa – ser amável, justo ou generoso. Eram muitas as moedas falsas que circulavam e que fariam as vezes dessas qualidades, e eu sabia onde consegui-las por uma pechincha.

Ao longo de trinta e nove anos, meu olho observador aprendeu a detectar onde o leite é batizado com água, onde se põe areia no açúcar, onde o diamante é falso e o estuque passa por pedra. Não haveria mais doação de mim mesmo – daí em diante, toda doação deveria ser proibida e ganhar um novo nome, e esse nome era Desperdício.

A decisão deixou-me meio exuberante, como tudo o que é, ao mesmo tempo, verdadeiro e novo. Como uma espécie de começo, havia um monte de cartas a serem jogadas na cesta de lixo quando voltasse para casa, cartas em que me pediam alguma coisa em troca de nada — ler os originais de um homem, encaminhar de outra a uma editora, falar de graça no rádio, escrever um prefácio, dar uma entrevista, ajudar no enredo de uma peça, fazer uma ação solidária ou de caridade.

A cartola do mágico estava vazia. Tirar coisas de dentro dela havia sido durante muito tempo uma espécie de prestigitação, e agora, variando a metáfora, eu estava pulando fora, para sempre, da função de assistente social.”

trecho de “Manuseie com cuidado”, registro dos resultados do colapso nervoso que o Scott Fitzgerald teve por volta de 1936, aos seus quase 40 anos. O texto e outros sobre seu esgotamento e excessos estão no Pileques – Drinques e Outras Bebedeiras.

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