You’re Blase

20/04/2014 § Deixe um comentário

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Coração das Trevas

17/04/2014 § Deixe um comentário

“No entanto, como vocês podem ver, não fui ali mesmo ao encontro de Kurtz, logo em seguida. Não. Fiquei para sonhar o pesadelo até o fim e demonstrar mais uma vez a minha lealdade para com Kurtz. O destino. O meu destino! Que coisa engraçada é a vida – esse arranjo misterioso de lógica impiedosa visando a algum desígnio fútil. O máximo que dela se pode esperar é um certo conhecimento de si mesmo – que chega tarde demais  – uma safra de remorsos inextinguíveis.

Já lutei contra a morte. É a luta mais desinteressante que vocês podem imaginar. Ocorre numa insubistancial área cinzenta em que não há nada sob os pés, nada à nossa volta, sem testemunhas, sem clamor, sem glória, sem o grande desejo de vitória, sem o grande medo da derrota, numa atmosfera malsã de morno ceticismo, sem muita confiança no seu próprio direito e menos ainda no da adversária.

Se é essa a forma da sabedoria suprema, a vida é um enigma ainda maior do que pensam alguns de nós. Estive a um fio de cabelo da última oportunidade de me pronunciar, e descobri humilhado que provavelmente não teria nada a dizer. E é por isso que afirmo que Kurtz foi um homem notável.”

Que coisa aterradora o poder descritivo do Conrad em Coração das Trevas. Tinha toda razão a Virginia.

Optando pela edição da Cia. das Letras, não deixe de ler o ótimo e elucidador posfácio do Luiz Felipe de Alencastro.

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