O Mestre e Margarida

29/12/2013 § Deixe um comentário

“- O senhor foi convidado na qualidade de consultor, professor? — perguntou Berlioz.

– É, como consultor.

– É alemão? — quis saber Bezdômny.

– Eu? — respondeu o doutor em forma de pergunta e de repente ficou pensativo. – Sim, provavelmente alemão… — disse ele.

– O senhor fala russo muito bem — observou Bezdômny.

– Oh, sou poliglota e domino um grande número de idiomas — respondeu o doutor.

– E o senhor tem alguma especialidade? — quis saber Berlioz.

– Sou especialista em magia negra.

‘Pronto!’, pensou Mikhail Aleksándrovitch.

– E …e o senhor foi convidado por causa dessa especialidade? — perguntou ele, gaguejando.

– Sim, por causa dela — confirmou o doutor e esclareceu: – Aqui, na biblioteca estatal, foram descobertos manuscritos originais do necromante Gerbert D’Aurillac, do século X. Pois bem, é preciso que eu os decifre. Sou o único especialista no do mundo.

– A-há! É historiador? — perguntou Berlioz, com grande alívio e respeito.

– Sou historiador- confirmou o cientista e acrescentou sem mais nem menos: – Hoje à noite, em Patriachi Prudý, acontecerá uma história interessante!

Novamente o editor e o poeta se surpreenderam muito. O professor chamou ambos para perto de si e, quando eles se inclinaram, cochichou:

– Saibam que Jesus existiu.

– Veja bem, doutor — replicou Berliz com um sorriso forçado –, respeitamos seus grandes conhecimentos, mas, sobre esse assunto, temos pontos de vista diferentes.

– Não precisa de ponto de vista nenhum — respondeu o estranho professor –, ele simplesmente existiu e pronto.

– Mas é preciso ter alguma prova… — começou Berlioz.

– Não precisa de prova nenhuma — respondeu o doutor, que se pôs a falar baixo e, sabe-se lá por quê, seu sotaque desapareceu: – É tudo simples: de manto com a barra cor de sangue, com movimentos gingados de um cavaleiro, na manhã do décimo quarto dia do mês primaveril de Nissan…”

trecho dO Mestre e Margarida, romance totalmente incrível, bem escrito e divertido, do ucraniano Mikhail Bulgákhov, em que o diabo, o simpático Woland, e sua comitiva vão a Moscou aprontar altas confusões [ risos ] e acabam também, vejam só, reunindo um casal de amantes. Disponível ainda aqui.

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