As Iniciais

16/06/2013 § Deixe um comentário

“A obviedade de que quase tudo na vida pode ser visto de vários ângulos e  mudar conforme o ponto de vista se aplica com tanto mais exatidão às minhas impressões daquela noite em E. quando, persuadido  de que traduziam uma mensagem, tomei um atalho pelo morro até a casa de A., levando na mão a caixinha de madeira vazia, que ainda hoje trago no bolso, em cuja tampa sentia com os dedos o relevo toscos das iniciais.

É possível que não tenha entendido nada, e menos ainda conforme acreditava me aproximar de algum tipo de compreensão. Por anos não abri minha boca sobre aquela noite, nem mesmo com C., que me encontrara no meio dos arbustos. Temi que pudesse me comprometer na minha confusão, confessar que tinha chegado a suspeitar que aquela mensagem — se é que se tratava de uma mensagem — era  para mim, e ter de me render ao fato de ela ser na realidade endereçada a C.”

trecho do estranho As Iniciais, do Bernardo Carvalho, que, ao que parece, não é muito afeito à ideia convencional de desfechos. Nove Noites agradou mais, muito mais, vale dizer.

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