O Prazer do Texto

28/05/2013 § Deixe um comentário

“O texto é um objeto fetiche e esse fetiche me deseja. O texto me escolheu, através de toda uma disposição de telas invisíveis, de chicanas seletivas: o vocabulário, as referências, a legibilidade, etc; e, perdido no meio do texto (não atrás dele ao modo de um deus de maquinaria) há sempre o outro, o autor.

Como instituição, o autor está morto: sua pessoa civil, passional, biográfica,desapareceu; desapossada, já não exerce sobre sua obra a formidável paternidade que a história literária, o ensino, a opinião tinham o encargo de estabelecer e de renovar a narrativa: mas no texto,de uma certa maneira,eu desejo o autor: tenho necessidade de sua figura (que não é nem sua representação nem sua projeção), tal como ele tem necessidade da minha (salvo no “tagarelar”).”

trecho do lindo O Prazer do Texto, do Barthes, que interessados leem aqui. Como é gostoso pensar na leitura como uma fonte de gozo físico.

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Domingas

26/05/2013 § Deixe um comentário

Morrendo, morrendo de amor por você…

Eu Caminhava Assim tão Distraído

26/05/2013 § Deixe um comentário

“olha velocidade é uma fissura
da juventude solidão é
um método maluco de saber
quem está dentro de você
quando a cidade inteira
te odeia mas
entre almas de jeans
você segue
olha nada na neblina além de
borboletas transando
estátuas se mexendo
pessoas que se esqueceram
de sorrir e você vai
se matando
de tanto dizer sim
mas
olha a chuva fina no asfalto
meu suor em sua pele
pra sempre”

trecho de “Eu Caminhava Assim tão Distraído”, do poeta paranaense Maurício Arruda Mendonça, um dos 52 poemas incluídos na edição especial do Suplemento sobre a nova poesia brasileira.

Em cores

24/05/2013 § Deixe um comentário

coloridos

Via.

O Pirotécnico Zacarias

24/05/2013 § Deixe um comentário

“A decisão dos assalariados de aumentar o número de horas de serviço deu novo alento ao engenheiro, que esperava vê-los vencidos pela estafa, pois lhes seria impossível manter por muito tempo semelhante esforço coletivo. Logo verificaria seu engano. Além de não apresentarem sinais de cansaço, para ajudá-los vieram das cidades vizinhas centenas de trabalhadores que se dispunham a auxiliar gratuitamente os colegas.

Vinham cantando, sobraçando as ferramentas, como se preparados para longa e alegre campanha. Pouco adiantava recusar-lhes a colaboração, eles mesmos escolhiam as tarefas e as iniciavam com entusiasmo, indiferentes à agressiva repulsa de João Gaspar.”

trecho de “O Edifício”, um dos inquietantes contos da coletânea O Pirotécnico Zacarias, do Murilo Rubião, da qual jamais me recuperarei. Destaque para o pertubador “Teleco, o Coelhinho” e o totalmente verdadeiro “O ex-mágico da Taberna Minhota“, que merecia um post à parte de tão incrível.

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