O Elogio ao Ócio

08/11/2012 § Deixe um comentário

“Como muitos homens de minha geração, eu fui educado segundo os preceitos do provérbio que diz que o ócio é o pai de todos os vícios. E, como sempre fui um jovem virtuoso, acreditava em tudo o que me diziam, razão pela qual adquiri esta consciência que me faz trabalhar duro até hoje.

Mas apesar de a  consciência ter controlado as minhas ações, minhas opiniões sofreram um verdadeira revolução. Eu acho que se trabalha demais no mundo de hoje, que a crença nas virtudes do trabalho produz males sem conta e que nos modernos países industriais é preciso lutar por algo totalmente diferente do que sempre se apregoou.

É bastante conhecida a história do viajante que, ao ver doze mendigos deitados ao sol, na cidade de Nápoles (isto foi antes da época de Mussolini), disse que queria dar uma lira ao mais preguiçoso. Onze se levantaram para disputá-la, e então o viajante a deu ao décimo segundo.

Foi uma decisão acertada. Mas nos países que não podem desfrutar o sol do Mediterrâneo, o ócio é mais difícil e vai ser preciso muita propaganda para fazê-lo vingar. Eu gostaria que da YMCA iniciasse, após a leitura das próximas páginas, uma campanha para persuadir os jovens de boa índole a não fazerem nada. Se fizerem isso, eu não terei vivido em vão.”

trecho do “Elogio ao Ócio”, artigo do Bertrand Russell que abre livro homônimo. Quase 80 anos se passaram desde sua redação, mas o texto não poderia fazer mais sentido.

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