O Homem de Gênio e a Melancolia

03/10/2012 § 4 Comentários

“É interessante reencontrar esta ideia em uma obra de Aristóteles como a Ética a Nicômaco. ‘Os melancólicos por natureza têm sempre necessidade da medicina.” Creio, aliás, que essa passagem da Ética pode nos ajudar a compreender a personalidade do melancólico. Aristóteles continua, de fato: ‘porque seu corpo está constantemente corroído por causa da mistura, e se encontra sem cessar em estado de desejo violento. Mas o prazer afasta a pena, o prazer que é o seu oposto, como qualquer prazer, se é intenso, e é por isso que os melancólicos são intemperantes e viciosos.’

Dessa maneira, o melancólico é sempre empurrado para a busca do prazer, que não é mais que uma maneira de acalmar a sua dor, nascida da corrosão da bile negra. Ele é sem cessar impelido à distração, o que o conduz, na urgência de encontrar a paz no corpo, a não ser muito escrupuloso na escolha de seu prazer, e o incita ao vício. Pelo efeito da bile que o corrói, o melancólico não tolera a sobriedade calma da vida. Ele é coagido ao divertimento. Ele é um homem do Divertimento.

Pela mesma razão, é um ser de violência e de contraste, vítima da mudança incessante; ele é incompreensível. O melancólico já chegou a limite extremo, onde é esperado. ‘Porque a bile negra é inconstante’, diz o Problema XXX, ‘inconstantes são os melancólicos”.

Mais alguém se reconheceu um pouquinho?

Trecho da apresentação do Jackie Pigeau ao Problema XXX, 1 – O Homem de Gênio e a Melancolia, texto em que Aristóteles analisa a influência das oscilações de humor causadas pelo predomínio da bile negra no corpo, sobre o caráter do melancólico e sua criatividade.

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§ 4 Respostas para O Homem de Gênio e a Melancolia

  • piercy de lemos disse:

    Esperava um comentário um pouco mais rico…mais explicativo…com um pouco mais de profundidade.

  • Desiree disse:

    Oi, Percy.

    Não sei qual era seu objetivo, mas não faço crítica literária, nem comento, de forma compromissada, os livros que menciono aqui. Não tenho essa pretensão.

    Se se interessa pelo texto, sugiro buscar um bom comentador de Aristóteles. Se seu interesse é pela relação entre filosofia e medicina, indico o “Metáfora e Melancolia”, do Pigeaud.

  • Diogo disse:

    Interessante o texto, obrigado por compartilhar.

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