O náufrago

22/09/2012 § Deixe um comentário

“Mesmo tendo destruído para toda a vida pessoas inocentes e suas famílias, os tribunais seguem em frente com seu trabalho cotidiano; os jurados — cujos vereditos obedecem sempre a humor momentâneo, além de um ódio desenfreado por seus semelhantes — arranjam-se muito rápido com tal veredito equivocado e consigo próprios, mesmo depois de já terem percebido que cometeram um crime efetivamente irreparável contra pessoas inocentes. A metade das condenações decididas por tais júris, informei-me, repousa de fato sobre um veredito equivocado, e tenho certeza absoluta de que foi isso que aconteceu no assim chamado processo do Moinho de Dichtel, que terminou com um veredicto equivocado por parte dos jurados.

Os chamados tribunais distritais austríacos são famosos por serem proferidos neles todo ano dúzias de vereditos equivocados decididos pelos jurados e, portanto, por carregarem na consciência dúzias de inocentes a cumprir penas de prisão perpétua em nossas instituições penais, sem qualquer perspectiva de algum dia se reabilitarem, como se diz.

Na realidade, há mais inocentes do que culpados cumprindo pena em nossas prisões e instituições penais, e isso pelo fato de haver tantos juízes sem consciência e tantos jurados que odeiam seres humanos, seus semelhantes, neles se vingando, portanto, da própria infelicidade e monstruosidade, neles que, em razão das circunstâncias medonhas que os conduziram aos tribunais, se veem à mercê de juízes e jurados. “

trecho d’O Náufrago, do Thomas Bernhard, com parte das críticas que faço à lógica do tribunal do júri.

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