O náufrago

15/09/2012 § Deixe um comentário

“Fundamentalmente, somos capazes de tudo, mas, também fundamentalmente, fracassamos em tudo, disse. Os nossos grandes filósofos, nossos grandes poetas, se reduzem a uma única frase bem-sucedida, essa é que a verdade; em geral, o que nos fica é tão-somente um matiz filosófico, como se diz, e nada mais, ele disse.

Estudamos uma obra imensa, como, por exemplo, a de Kant, e como passar do tempo ela se reduz à cabecinha prussiana oriental de Kant e a um mundo inteiramente vago de noite e neblina , que termina no mesmo desamparo de todos os outros, disse. Um mundo que pretendeu ser uma imensidão, mas do qual restou um detalhe ridículo, ele disse, como acontece com tudo. No fim, a chamada grandeza chega a um ponto no qual só conseguimos ainda sentir pena de seu caráter ridículo, deplorável. O próprio Shakespare se reduz ao risível, se dispomos  de um momento de clarividência, disse. Há tempos os deuses só nos aparecem de colarinho, em nossas canecas de cerveja. Somente um idiota se admira, disse.”

trecho dO Náufrago, do Thomas Bernhard, que tem me agradado mais pelas reflexões do que pela história em si.

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