Petite Mort

25/08/2012 § Deixe um comentário

Aproveitando a deixa, a trilha.

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Bonsai

25/08/2012 § 2 Comentários

“As extravagâncias de Julio e Emília não eram apenas sexuais (que existiam), nem emocionais (que eram muitas), mas também, digamos, literárias. Numa noite especialmente feliz, Julio leu, meio de brincadeira, um poema de Rubén Darío que Emília dramatizou e banalizou ate transformá-lo num verdadeiro poema sexual, um poema de sexo explícito, com gritos, com orgasmos.

Então, virou um hábito o lance de ler em voz alta — em voz baixa — toda noite antes de trepar. Leram O livro de Monelle, de Marcel Schwob, e O pavilhão dourado, de Yukio Mishima, que foram razoáveis fontes de inspiração erótica para eles. Mas logo as leituras se diversificaram a olhos vistos: leram Um homem que dormeAs coisas, de Perec, vários contos de Onetti e de Ramond Carver, poemas de Ted Hughes, de Tomas Tranströmer, de Armando Uribe e de Kurt Folch. Até fragmentos de Nietzsche e de Émiile Cioran eles leram.

Um bom ou mau dia o acaso os levou às páginas da Antologia da literatura fantástica, de Borges, Bioy Casares e Silvina Ocampo. Depois de imaginar abóbadas ou casas sem portas, depois de inventariar os  traços de fantasmas inomináveis, deitaram âncora em “Tantalia”, um conto de Macedonio Fernández que os afetou profundamente.”

Trecho do recém-começado Bonsai, do Alejandro Zambra. Dá pra encomendar e incluir no combo papos sobre o Galo, música e direito?

No sofá

23/08/2012 § Deixe um comentário

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Daqui .

O Mito de Sísifo

20/08/2012 § Deixe um comentário

“É durante esse regresso, essa pausa que Sísifo me interessa. Um rosto que padece tão perto das pedras já é pedra ele próprio! Vejo esse homem descendo com passos pesados e regulares de volta para o tormento cujo fim não conhecerá. Essa hora, que é como uma respiração e que se repete com tanta certeza quanto sua desgraça, essa hora é a da consciência. Em cada um desses instantes, quando ele abandona os cumes e mergulha pouco a pouco nas guaridas dos deuses, Sísifo é superior ao seu destino. É mais forte que sua rocha.

Esse mito só trágico porque seu herói é consciente. O que seria a sua pena se a esperança de triunfar o sustentasse a cada passo? O operário de hoje trabalha todos os dias de sua vida nas mesmas tarefas, e esse destino não é menos absurdo. Mas só é trágico nos raros momentos em que se torna consciente. Sísifo, proletário dos deuses, impotente e revoltado, conhece toda a extensão de sua miserável condição: pensa nela durante a descida. A clarividência que deveria ser o seu tormento consuma, ao mesmo tempo, sua vitória. Não há destino que não possa ser superado pelo desprezo.”

Camus, definitivo, no indispensável O Mito de Sísifo.

Onde estou?

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