O Mito de Sísifo

12/07/2012 § Deixe um comentário

“Cenários desabarem é coisa que acontece. Acordar, bonde, quatro horas no escritório ou na fábrica, almoço, bonde, almoço, bonde, horas de trabalho, jantar, sono e segunda terça quarta quinta sexta e sábado no mesmo ritmo, um percurso que transcorre sem problemas a maior parte do tempo. Um belo dia, surge o ‘por quê’ e tudo começa a entrar numa lassidão tingida de assombro. ‘Começa’, isto é o importante. A lassidão está ao final dos atos de uma vida maquinal, mas inaugura ao mesmo tempo um movimento da consciência. Ela o desperta e provoca sua continuação. A continuação é um retorno inconsciente aos grilhões, ou é o despertar definitivo. Depois do despertar vem, com o tempo, a consciência: o suicídio ou reestabelecimento. Em si, a lassidão tem algo de desalentador. Aqui, devo concluir que ela é boa. Pois tudo começa pela consciência e nada vale sem ela. Estas observações nada têm de original. Mas são evidentes: isso basta por algum tempo, até fazermos um reconhecimento sumário das origens do absurdo. O simples ‘cuidado’ está origem de tudo.”

trecho do forte e destruidor O Mito de Sísifo, do Camus, um dos livros com o começo mais desconcertantes já lidos.

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