Famílias Terrivelmente Felizes

08/06/2012 § Deixe um comentário

“A Tarde, Como Sobremesa

O escritor é a mais solitária das pessoas. Eu pensava nisso à saída do supermercado quando avistei uma mulher belíssima. Estava postada exatamente na entrada dos caixas, vestida de preto, o cabelo preso por uma fita, olhando calmamente para um ponto indefinido, como se nada estivesse acontecendo — apesar de lá fora, na rua, estarem passando carros, crianças, policiais e até os bombeiros com a sirene ligada. Nem isso chamou sua atenção ou pareceu perturbá-la. Uma mulher com ar de quem é absolutamte íntima de incêndios.

E eu pensando na solidão dos escritores. E, por que não, na dos cientistas, músicos e pintores. Talvez mesmo um arquiteto, debruçado em sua prancheta, alinhando retas, ordenando paralelas, seja um cara sozinho naquele momento. Enfim, o homem é uma criação solitária.  Muito embora viva procurando se amparar nas mais diversas coisas. Até mesmo numa página em branco.”

trecho de uma das onze pequenas histórias narradas no “Onze Jantares”, conto do Famílias Terrivelmente Felizes, do Marçal Aquino, dando o tom do feriado.

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