As Afinidades Eletivas

01/02/2012 § Deixe um comentário

“Eduard ficou encantado ao ouvir que Ottile ainda escrevia. ‘Está trabalhando por minha causa!’, pensou triunfante. Em meio à escuridão, compenetrado em si mesmo, imaginou-a sentada escrevendo; viu-se chegando até ela, que se voltava para recebê-lo; sentiu uma necessidade terrível de estar de novo a seu lado.Dali, porém, não havia nenhum acesso para o local que ela habitava.

Estava exatamente em frente à porta do quarto de sua mulher, e uma estranha confusão ocorreu em sua alma; tentou abrir a porta; encontrando-a trancada, bateu levemente, mas Charlotte  não ouviu. No quarto contíguo, ela andava de um lado para o outro agitada.

Repetia a se mesma, várias vezes, o que volvia e revolvia continuamente o seu íntimo desde a inesperada proposta do Conde. Parecia que o Capitão estava diante dela. Ele ainda enchia a casa, animava os passeios, e agora deveria ir embora! Iria ficar tudo tão vazio! Dizia a si mesma tudo o que se pode dizer, e chegou a antecipar – como se costuma fazer – o triste consolo de que o tempo alivia tais dores.  Amaldiçoou o tempo necessário para aliviá-las; amaldiçoou esse tempo aniquilador que as aliviaria.”

Goethe, muito destruidor, em “As Afinidades Eletivas”, que já promete superar o Werther.

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