O caderno vermelho

24/12/2011 § Deixe um comentário

Mais ou menos nesse mesmo espírito, embora abrangendo um tempo mais curto (um punhado de meses, em oposição a vinte anos), um outro amigo, R., me contou sobre certo livro raro que ele vinha tentando localizar sem sucesso, vasculhando livrarias e catálogos em busca de uma obra supostamente notável, que ele queria muito ler, e como, certa tarde, enquanto andava pela cidade, ele tomou um atalho pela estação Grand Central, subiu a escada que vai dar na avenida Vanderbilt e avisou uma jovem de pé junto à balaustrada de mármore, com um livro nas mãos: o mesmo livro que ele vinha tentando localizar tão desesperadamente.

Embora não seja do tipo que costuma falar com estranhos, R. ficou espantado demais com a coincidência para conseguir permanecer calado. “Acredite ou não”, disse ele à jovem, “eu tenho andado à procura desse livro por toda parte.”

“Ele é maravilhoso”, respondeu a jovem. “Acabei de ler neste instante.”

“Sabe onde posso achar outro exemplar?”, perguntou R. “Não posso nem lhe dizer o quanto isso significa para mim.”

“Este aqui é para você”, respondeu a mulher.

“Mas ele é seu”, disse R.

“Ele era meu”, respondeu a mulher, “mas agora eu já acabei de ler. Eu vim aqui hoje para entregá-lo a você.”

conto do bonitinho e bem escrito  “O Caderno Vermelho”, do Paul Auster. 

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