O caderno vermelho

24/12/2011 § Deixe um comentário

Mais ou menos nesse mesmo espírito, embora abrangendo um tempo mais curto (um punhado de meses, em oposição a vinte anos), um outro amigo, R., me contou sobre certo livro raro que ele vinha tentando localizar sem sucesso, vasculhando livrarias e catálogos em busca de uma obra supostamente notável, que ele queria muito ler, e como, certa tarde, enquanto andava pela cidade, ele tomou um atalho pela estação Grand Central, subiu a escada que vai dar na avenida Vanderbilt e avisou uma jovem de pé junto à balaustrada de mármore, com um livro nas mãos: o mesmo livro que ele vinha tentando localizar tão desesperadamente.

Embora não seja do tipo que costuma falar com estranhos, R. ficou espantado demais com a coincidência para conseguir permanecer calado. “Acredite ou não”, disse ele à jovem, “eu tenho andado à procura desse livro por toda parte.”

“Ele é maravilhoso”, respondeu a jovem. “Acabei de ler neste instante.”

“Sabe onde posso achar outro exemplar?”, perguntou R. “Não posso nem lhe dizer o quanto isso significa para mim.”

“Este aqui é para você”, respondeu a mulher.

“Mas ele é seu”, disse R.

“Ele era meu”, respondeu a mulher, “mas agora eu já acabei de ler. Eu vim aqui hoje para entregá-lo a você.”

conto do bonitinho e bem escrito  “O Caderno Vermelho”, do Paul Auster. 

Votos

23/12/2011 § Deixe um comentário

Um brinde [de café, claro] à internet, o álcool do abstêmio durante as festas de fim de ano.

Do I Can Read .

All of You

23/12/2011 § Deixe um comentário

‘Cause I love all of you…

A dócil

22/12/2011 § Deixe um comentário

“Cega, cega! Está morta, não ouve! Você não sabe com que paraíso eu teria te cercado. O paraíso estava na minha alma, eu o teria plantado em volta de você! Bem, você não me amaria – e daí, o que importa? – Tudo seria assim, tudo ficaria assim. Faria confidências apenas para mim, como amigo – e então ficaríamos alegres, e riríamos alegremente, olhos nos olhos. Viveríamos assim.

E se você se apaixonasse por outro – e daí, e daí! Iria com ele, rindo, enquanto eu olharia do outro lado da rua… Ah, fosse o que fosse, contanto que ela abrisse os olhos uma única vez! Por um só momento, um só! que me lançasse um olhar, assim como ainda há pouco, quando estava diante de mim e jurava que seria uma esposa fiel! Ah, num único olhar ela teria entendido tudo!

A casmurrice! Ah, a natureza! Os homens estão sozinhos na terra – essa é a desgraça! ‘Há algum homem vivo nesses campos?’ – grita o bogatir russo. Também grito eu, que não sou bogatir, e ninguém dá sinal de vida. Dizem que o sol vai nascer e – olhem para ele, por acaso não é um cadáver?

Tudo está morto, e há cadáveres por toda a parte. Há somente os homens, e em volta deles o silêncio – essa é a terra! ‘Homens, amai-vos uns aos outros’ – quem disse isso? De quem é esse mandamento? O pêndulo bate insensível, repugnante. Duas horas da madrugada. As suas botinhas estão junto da cama, como que esperando por ela… Não, é sério, quando amanhã a levarem embora, o que é que vai ser de mim?”

trecho do relato desesperado de ‘A Dócil’  em “Duas Narrativas Fantásticas”, do Dostoiévski, o primeiro livro lido durante as férias, este período mágico em que me lembro, não mais com pesar e sim com alegria, que há escritos no mundo que não tratam de Direito.

Confraternizações

21/12/2011 § Deixe um comentário

Quem não?

Pluto

11/12/2011 § Deixe um comentário

Que delícia isso, não?

Minha queridona do Bulletproof Brass, disco mais recente do HBE. Interessados, eis o link.

Paredes

10/12/2011 § Deixe um comentário

Muito engraçadinho, né?

Paredes rabiscadas sempre me lembram aquele período de minha tenra infância [ pausa para declamar Casimiro ] quando usava as paredes de casa como caderno e, temendo a repressão materna, era obrigada cobrir meus escritos com creme dental.  Crianças: ♥

Vi no Frankly, my dear…i don’t give a damn. Bazinga!

Onde estou?

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