Talvez uma história de amor

01/07/2011 § Deixe um comentário

” – Vou lhe dar um conselho sobre Clara – disse Armelle.

– Pois não.

– Não tente imaginá-la. Não a fantasie. Seria um erro fatal. Pois, no dia em que a encontrar, ficará decepcionado.

– Não imaginá-la- repetiu Virgile, para enfiar bem a ideia na cabeça.

– Você não percebe, Virgile, mas é preciso se defender da sua inacreditável capacidade de imaginação.

Armelle tinha razão: Virgile imaginava as mulheres que amava. Provavelmente, aliás, amava-as justamente por imaginá-las. Ao encontrá-las, cobria-as com cores e traços que não lhe pertenciam. Se Armelle era tão próxima dele, é porque tinha consistência e mistério suficientes para não colocar em marcha a máquina criadora do amigo. Não havia nela nenhum vazio a ser preenchido.

No entanto, o alerta de Armelle era inócuo, pois, pela primeira vez, Virgile estava diante de uma mulher nitidamente inimaginável. A imaginação não brota ex nihilo; ela precisa de sinal à sua disposição, a mínima partícula ou pigmento de que pudesse se servir para compor uma pintura de Clara.

Certamente, poderia fazer dela um retrato perfeito: ela seria tudo aquilo que ele deseja encontrar em uma mulher. Mas ele estava bem precavido quanto aos riscos desse tipo de concepção. Espontaneamente, quando imaginamos o nosso parceiro ideal, desenhamos a nós mesmos, sem as lacunas ou fragilidades e com o sexo que mais nos convenha.

Trecho muito verdadeiro de Talvez uma história de amor…, do Martin Page, indicado pelo Guilherme e lido, temerariamente, durante o fim de semestre.

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