Saideira Filosófica

30/04/2011 § Deixe um comentário

Um Pascal e dois Schops

“Condição do homem: inconstância, desgosto, inquietude”

Pascal, em Pensamentos

***

Nossa existência

Não há nada a que nossa existência se assemelhe tão perfeitamente quanto à conseqüência de um erro e de seu desejo punível.

L’existence est un épisode du néant [A existência é um episódio do nada].

O homem—um veneno

Quase sempre, os chamados seres humanos não passam de uma sopa rala com um pouco de arsênico.

A. Schopenhauer, em A Arte de Insultar

AIS OU MENOS

22/04/2011 § Deixe um comentário

AIS OU MENOS

(oração pela descrença)

Senhor,
peço poderes sobre o sono,
esse sol em que me ponho
a sofrer meus ais ou menos,
sombra, quem sabe, dentro de um sonho.

Quero forças para o salto
do abismo onde me encontro
ao hiato onde me falto.

Por dentro de mim, a pedra,
e, aos pés da pedra,
essa sombra, pedra que se esfalfa.

Pedra, letra, estrela à solta,
sim, quero viver sem fé,
levar a vida que falta
sem nunca saber quem é.

do eterno Leminski em Distraídos Venceremos. Podia ser mais fofo?

I drove all night

17/04/2011 § Deixe um comentário

No one can move the way that you do…

Em grandes emoções súbitas sem sentido nenhum

12/04/2011 § Deixe um comentário

Esta velha angústia

Esta velha angústia,
Esta angústia que trago há séculos em mim,
Transbordou da vasilha,
Em lágrimas, em grandes imaginações,
Em sonhos em estilo de pesadelo sem terror,
Em grandes emoções súbitas sem sentido nenhum.

Transbordou.
Mal sei como conduzir-me na vida
Com este mal-estar a fazer-me pregas na alma!
Se ao menos endoidecesse deveras!
Mas não: é este estar entre,
Este quase,
Este poder ser que…,
Isto.

Um internado num manicômio é, ao menos, alguém,
Eu sou um internado num manicômio sem manicômio.
Estou doido a frio,
Estou lúcido e louco,
Estou alheio a tudo e igual a todos:
Estou dormindo desperto com sonhos que são loucura
Porque não são sonhos.
Estou assim…

Pobre velha casa da minha infância perdida!
Quem te diria que eu me desacolhesse tanto!
Que é do teu menino?  Está maluco.
Que é de quem dormia sossegado sob o teu teto provinciano?
Está maluco.
Quem de quem fui?  Está maluco.  Hoje é quem eu sou.

Se ao menos eu tivesse uma religião qualquer!
Por exemplo, por aquele manipanso
Que havia em casa, lá nessa, trazido de África.
Era feiíssimo, era grotesco,
Mas havia nele a divindade de tudo em que se crê.
Se eu pudesse crer num manipanso qualquer —
Júpiter, Jeová, a Humanidade —
Qualquer serviria,
Pois o que é tudo senão o que pensamos de tudo?

Estala, coração de vidro pintado!

Ah, Fernando — e Álvaro: lots of procês

Onde estou?

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