Cantadas

26/03/2011 § Deixe um comentário

Elegante, não?

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Ao outono!

21/03/2011 § Deixe um comentário

Para saudar o outono, vulgo, a melhor estação do ano.

Um coração simples

20/03/2011 § Deixe um comentário

 

“Por não se comunicar com ninguém, vivia em um torpor de sonâmbulo. As procissões de Corpus Christi reanimavam-na. Ela ia até os vizinhos pedir tochas e esteiras para embelezar os andores que passavam na rua.

Na igreja, sempre contemplava o Espírito Santo observava que nele havia algo de similar com o papagaio. A semelhança pareceu-lhe ainda mais evidente em uma imagem de Épinal representando o batismo de Nosso Senhor. Com as asas de púrpura e o corpo de esmeralda era realmente o retrato de Lulu.

Tendo-o comprado pendurou-o no lugar do conde de Artois – de maneira que, com um só olhar, via-os juntos. Associavam-se em seu pensamento, o papagaio santificado pela relação com o Espírito Santo, que por sua vez se tornava mais vivo a seus olhos e inteligível. O Pai para expressar-se não deveria ter escolhido uma pomba, uma vez que esses animais não têm voz, mas antes um dos ancestrais de Lulu. E Felicidade fazia suas preces olhando a imagem mas, de vez em quando, virava-se um pouco em direção ao pássaro.”

 

trecho do lindo, lindo “Um Coração Simples”, de Três Contos. Flaubert, querido, vai escrever assim na PQP, OK?

A questão é: os outros dois contos manterão o nível? A ver.

Ella, sempre Ella

18/03/2011 § Deixe um comentário

A reunião de duas delícias: Ella e café

And drown her past regrets/ In coffee and cigarettes

Celular

09/03/2011 § Deixe um comentário

“Celular é o caralho. Odeio essas merdas de celulares, e odeio os putos que usam isso. É uma invasão feia: vozes estranhas por toda parte, tratando de assuntos particulares, na cara da gente. A última vez que estive no Soho, numa rebordosa total, todos aqueles punheteiros de merda estavam parados na rua falando sozinhos. Os yuppies bebendo no meio da rua e falando merda sozinhos, ou melhor, falando naqueles microfones mínimos, quase invisíveis, ligados aos celulares.”

Irvine Welsh, ácido e certeiro como sempre, explicando muito melhor do que eu por que celular é um incômodo, em “Culpa católica ( No fundo, você adora)” em Falando com o Anjo, coletânea de contos organizada pelo amado Nick Hornby.

PS: É um incômodo, mas cedi à pressão social e estou tentando, pela sexta vez em dois anos, ter um. Torçam por mim!

Madorna de Iaiá

04/03/2011 § Deixe um comentário

Madorna de Iaiá

Iaiá está

na rede de tucum.

A mucama de Iaiá tange os piuns,

Balança a rede,

Canta um lundum

Tão bambo, tão molengo, tão dengoso,

Que Iaiá tem vontade de dormir

Com quem?

Rem-rem.

Que preguiça, que calor!

Iaiá tira a camisa,

Toma aluá

Prende o cocó,

Limpa o suor

Pula pra rede.

Mas que cheiro gostoso tem Iaiá!

Que vontade doida de dormir,,,

Com quem?

Cheiro de mel da casa das caldeiras!

O saguim de Iaiá dorme num coco.

Iaiá ferra no sono

Pende a cabeça,

Abre-se a rede

Como uma ingá.

Para a mucama de cantar,

Tange os piuns,

Cala o ram-rem,

Abre a janela,

Olha o curral:

– um bruto sossego no curral!

Muito longe uma peitica faz si-dó….

Si-dó…..si-dó……si-dó….

Antes que Iaiá corte a madorna

A moleca de Iaiá

Balança a rede,

Tange os piuns,

Canta um lundum

Tão bambo,

Tão molengo,

Tão dengoso,

Que Iaiá sem se acordar,

Se coça,

Se estira

E se abre toda, na rede de tucum.

Sonha com quem?

Onde estou?

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