Complexo de Portnoy

27/01/2011 § Deixe um comentário

“Mas o que ele tinha a oferecer, eu não queria —e o que eu queria ele não podia oferecer. Entretanto, o que há de extraordinário nisso? Por que ainda me faz sofrer tanto? Ainda a esta altura! Doutor, diga-me, de que será melhor livrar-me: do ódio.., ou do amor? Pois se ainda nem comecei a falar daquilo que relembro com prazer — com uma arrebatada, pungente, sensação de perda!

Todas aquelas recordações que de alguma forma parecem estar ligadas com o estado do tempo e a hora do dia, e que me surgem na mente com tal agudeza, que, momentaneamente, deixo de estar no subway, no escritório, ou num jantar com uma garota bonita, para regressar à infância, junto deles.

Recordações de praticamente nada, mas que, no entanto, parecem momentos de história tão cruciais para o meu ser como o instante da minha concepção; poderia até relembrar o esperma de meu pai penetrando no óvulo de minha mãe, tão penetrante é a minha gratidão —sim, a minha gratidão! —tão impetuoso e sem reservas é o meu amor.”

trecho do absurdo e catártico Complexo de Portnoy do genial Roth.

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