Ideia sem braços

15/01/2011 § Deixe um comentário

“Era ocasião de pegá-la, puxá -la e beijá-la… Ideia só! ideia sem braços! Os meus ficaram caídos e mortos. Não conhecia nada da Escritura. Se conhecesse, é provável que o espírito de Satanás me fizesse dar à língua mística do Cântico um sentido direto e natural. Então obedeceria ao primeiro versículo: “Aplique ele os lábios, dando-me o ósculo da sua boca”.

E pelo que respeita aos braços, que tinha inertes, bastaria cumprir o verso. 6.° do cap. II: “A sua mão esquerda se pôs já debaixo da minha cabeça, e a sua mão direita me abraçará depois”. Vedes aí a cronologia dos gestos. Era só executá-la; mas ainda que eu conhecesse o texto, as atitudes de Capitu eram agora tão retraídas, que não sei se não continuaria parado. Foi ela,entretanto, que me tirou daquela situação.”

trecho do “capítulo XXXVI /Ideia sem perna e ideia sem braços”, uma das partes das mais bonitas de Dom Casmurro, relido nas férias.

Em tempo: não é um mistério que um moço fofo como o Bentinho tenha se tornado aquele grande imbecil que se mostra mais tarde? Babaca se escreve com B, de Bentinho.

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